Behold, be told_
the tale of old.
Lies spread in time;
in truth, they die.
Lore and morrow:
fire’s out, burnt out;
eyes closed, Eve:
dreams wither,
hearts bitter; a new
_day
segunda-feira, 26 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Crepúsculo e Aurora após o fim da História
Os olhos dela se apagavam, acompanhando o pôr do sol. O cinza em torno da íris se tornava cada vez mais escuro e pálido, enquanto todo o resto parecia dizer adeus ao mundo apenas porque o dia terminava. Vi as formas de seu rosto desaparecerem perante mim, e guardei aquelas linhas por alguns instantes após o anoitecer, mas elas me fugiram, embora minha amada continuasse na mesma posição. Sentia ainda sua presença, seu cheiro, e essa percepção física me consolava do fato de sua mente estar, para mim, para sempre, fechada. Desejei mergulhar naqueles olhos e buscar aquilo que um dia tive (ou acreditei ter), mas não mais via as janelas, cuja cor eu sabia não ser cinza. Longe dos seus braços, recostado em uma árvore de casca áspera e incompreensiva, adormeci um sono rude e inconsistente. Não sonhei, ou não me lembrei. Quando acordei, alguns minutos depois, percebi, sem ver, que ela não estava mais lá. Esperei que meus olhos se acostumassem com a escuridão, e então notei que sob o céu de estrelas inclementes e sem lua o campo continuava o mesmo onde ela me disse coisas que jamais sairiam da minha memória. Levantei, cambaleei, segui meu caminho através da trilha lamacenta.
Em algum momento da noite sonhei. Revivi meses em horas, momentos bons e ruins, coisas que havia, acredite, esquecido. No sonho havia o terror de nada poder controlar, e imagino que de alguma forma deva ter percebido a semelhança com a vida. Sonhei com ela, comigo, com dias e noites e cheiros e cores e nomes e flores e ódios e dissabores e água e pele e calor e frio e acordei. Acordei com o sol batendo em meu rosto. Era o dia seguinte (assim dizia o jornal que tentei ler mais tarde) e eu preferia que não houvesse amanhecido. Me arrastei para além do lençol bagunçado, senti o frescor do chão ferir meus pés assim como a luz rasgava minhas córneas. Me dirigi ao banheiro como ao matadouro e me joguei embaixo da água fria do chuveiro, para depois perceber que ainda estava semi-vestido. "Meu Deus, preciso acordar", pensei. Me enxuguei, escovei os dentes mais por instinto que por vontade e me vesti com algo que imaginava apropriado. Acredito que comi algo. Deixei o carro na garagem e fui andando para o trabalho, desafiando o sol escaldante da manhã. A fumaça e barulho dos carros não me acordou; pelo contrário, parecia criar uma cortina que minha vontade desmanchava para revelar o espetáculo que havia revisto diversas vezes desde a noite anterior.
"Ela não vai voltar", dizia para mim mesmo, e os transeuntes acompanhavam meu martírio.
death in flowers, de *tonysandoval
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Primeira charada imperfeita
Quando sou dois sou menos que um.
Te aleijo, mas sou tua bengala.
Te desfiguro, mas defino quem és.
Quem sou eu?
Te aleijo, mas sou tua bengala.
Te desfiguro, mas defino quem és.
Quem sou eu?
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A Criança Demônio
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Sonhei que além do oceano havia um outro eu. Sua miséria, tal como a minha, preenchia entre nós a distância, a ser transporta por nossos sonhos, por tanto tempo negados. A criança demônio, em nós, à nossa volta, da fúria da esperança se alimentara e agora oferecia a dois desgraçados a benção da escolha. A ignorância de ambos nos conduzirá ao caminho sem volta da decisão, que sempre conduz à tragédia, ao inevitável fim da oportunidade e destruição de algo que poderia ser. Ela, dos meus sonhos, dará lugar a outra, talvez melhor, talvez não. Que meu outro faça a escolha certa, ainda que tolo como eu, que sua moeda lhe seja mais verdadeira que os labirintos de minha sorte. Assim sonhei, e acordei com os murmúrios da noite, o rosto lavado pela dor e, nas sombras, vi minha sorte distorcida fugir dos meus olhos.
Sonhei que além do oceano havia um outro eu. Sua miséria, tal como a minha, preenchia entre nós a distância, a ser transporta por nossos sonhos, por tanto tempo negados. A criança demônio, em nós, à nossa volta, da fúria da esperança se alimentara e agora oferecia a dois desgraçados a benção da escolha. A ignorância de ambos nos conduzirá ao caminho sem volta da decisão, que sempre conduz à tragédia, ao inevitável fim da oportunidade e destruição de algo que poderia ser. Ela, dos meus sonhos, dará lugar a outra, talvez melhor, talvez não. Que meu outro faça a escolha certa, ainda que tolo como eu, que sua moeda lhe seja mais verdadeira que os labirintos de minha sorte. Assim sonhei, e acordei com os murmúrios da noite, o rosto lavado pela dor e, nas sombras, vi minha sorte distorcida fugir dos meus olhos.
She maybe come from the sea, por *tonysandoval
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